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Reunião nesta sexta-feira vai debater continuidade do jogo entre Guarany e Atlântico, paralisado por injúria racial – LNF

Atlântico decide o futuro na Copa do Brasil | Foto: Edson Castro

Uma reunião na tarde desta sexta-feira (28) vai debater a continuidade da partida entre Guarany de Espumoso e Atlântico, válida pela semifinal do Gauchão de Futsal de 2024. O jogo foi paralisado depois que o goleiro João Paulo, do Galo, relatou ter sido chamado de “macaco” por um torcedor que estava presente no Ginásio Módulo Esportivo.

No julgamento em última instância, o Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) definiu que a partida deveria ter continuidade em quadra neutra.

Portanto, a Liga Gaúcha de Futsal, organizadora do campeonato, vai avaliar junto aos dois clubes a melhor data e local para esse desfecho. A ideia é que o jogo ocorra no dia 5 de abril, na Arena Clube Comercial, em Passo Fundo.

Segundo a entidade, Passo Fundo fica a 80 quilômetros tanto de Espumoso como de Erechim, por isso seria a melhor opção para a continuidade da partida.

Além disso, o congresso técnico do Gauchão de Futsal 2025 também acontecerá nesta sexta-feira. O Atlântico ainda não confirmou participação nesta edição.

Como fica a continuidade da partida?

A partida terá continuidade a partir dos quatro minutos e 10 segundos do primeiro tempo da prorrogação, quando foi interrompida pela denúncia. Na ocasião, o placar estava 1 a 1.

Alvo das ofensas racistas, o goleiro João Paulo não disputará o restante da partida, visto que não renovou com o Atlântico e atualmente está no Umuarama, do Paraná. Atletas que chegaram aos clubes em 2025 terão autorização para atuar.

Relembre o caso

Guarany e Atlântico se enfrentavam pelo jogo de volta da semifinal, no Ginásio Módulo Esportivo, em Espumoso, no dia 30 de novembro de 2024. O Atlântico venceu no tempo normal por 4 a 1 e forçou a prorrogação.

No tempo extra, o placar estava 1 a 1. Até que, faltando 50 segundos para o fim do primeiro tempo, o jogo foi interrompido. Um torcedor do Guarany chamou o goleiro João Paulo, do Atlântico, de “macaco”.

Jogadores e comissão técnica do Galo teriam identificado o agressor e alegaram que a segurança do ginásio nada fez para o deter. O time de Erechim resolveu abandonar a quadra antes do fim da partida.

O caso gerou uma grande repercussão. Após a partida, o técnico do Atlântico, Paulinho Sananduva, revelou que alguns atletas estavam chorando no vestiário. O goleiro João Paulo também ficou bastante abalado e registrou boletim de ocorrência ao sair do ginásio.

O torcedor foi identificado e a Polícia Civil abriu investigação sobre o caso. Ele foi denunciado por injúria racial, podendo pegar prisão de dois a cinco anos de prisão.

O caso foi parar no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD). Em primeira instância, o órgão decidiu punir o Atlântico por ter abandonado a partida com a perda de três pontos e, consequentemente, a eliminação.

Com isso, o Guarany ficaria com a vaga, mas teria a perda do mando de quadra de dois jogos, além de multa de R$ 10 mil. O torcedor que ofendeu o goleiro João Paulo, foi proibido de frequentar ginásios por 720 dias.

Os dois clubes recorreram da decisão. O Galo foi contra a eliminação, enquanto o time de Espumoso tentava reverter a perda do mando de quadra.

No dia 11 de dezembro, o Pleno do TJD julgou os recursos e absolveu o Atlântico por abonar a partida. Ainda aumentou a multa do Guarany para R$ 20 mil e optou por dar seguimento ao jogo no Ginásio Módulo Esportivo, a partir dos últimos segundos do primeiro tempo da prorrogação, com portões fechados.

Insatisfeitos com a decisão, os clubes voltaram a recorrer. Porém, com a chegada do fim do ano, não havia mais tempo hábil para realizar os jogos, nem mesmo as finais.

No último julgamento, realizado no dia 27 de fevereiro, ficou definido que a partida terá continuidade em uma quadra neutra, não mais no Ginásio Módulo Esportivo, em Espumoso.

Ainda, o Guarany foi condenado a perda de dois mandos de quadra e a pagar uma multa de R$ 15 mil. Esse valor será utilizado pela Liga Gaúcha de Futsal (LGF) para atividades educacionais de combate ao racismo e a discriminação.

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